é uma nuvem do mais puro e fino pó, poeira, que aos poucos vai se transformando em grãos, que aos poucos pedritas. e vão se unindo, formando pedregulhos, até pedras enormes do tamanho de meteoros, planetas? tudo vindo em sua direção. suores, boca seca, não consegue chamar a mãe, com suas confortáveis mãos, o chá, o antipirético. e as pedras, a meio-caminho, vão se chocando e virando pó, a mais fina poeira. inefável. delírio a quarenta e tantos. mas o pó que vira pedra que vira pó não quer saber disso, continua rápido e sem som. mas é como se trovões ribombassem ali, onde não existem flashes de raios. os olhos ardem, mas vê, no escuro, as pedras se tocando, virando pó e outra mais uma vez grão, pedregulho, pedra, meteoro, planeta. e de volta ao pó. implacável metáfora cruel de que? traz o chá, mãe, e uma toalha enxuta, o comprimido, o limão com alho e mel. e o conforto das mãos, rápido, rápido, aproveita agora antes que eu vire pó.